Existe muita confusão sobre o corpo feminino, principalmente quando a gente fala de prazer e de respostas como o squirt.
E é importante a gente sair de dois extremos: nem tratar tudo como algo místico sem explicação, nem reduzir tudo a algo mecânico e frio.
O corpo é integrado. E é isso que a gente vai entender aqui.
O squirt é uma resposta fisiológica possível do corpo feminino.
Hoje, o que se entende é que esse líquido vem principalmente da bexiga, em uma forma mais diluída, e pode se misturar com pequenas secreções das glândulas próximas à uretra.
Ele não é necessariamente um indicador de prazer.
Ele pode acontecer quando o corpo entra em um estado de relaxamento profundo, com ativação do sistema nervoso parassimpático, que é o sistema responsável por relaxar, soltar e permitir.
Alguns tipos de estímulo facilitam essa resposta, como a estimulação da parede anterior do canal vaginal, próxima da região conhecida como área G.
Essa área está muito próxima da bexiga e de terminações nervosas importantes.
Quando há estímulo + relaxamento + diminuição do controle, pode acontecer um reflexo de liberação.
E aí o líquido pode sair, às vezes em maior volume, às vezes em jatos, às vezes de forma contínua.
Então não é uma produção mágica naquele momento, mas também não é algo completamente estático. É um processo corporal em fluxo.
A gente também diferencia duas coisas:
A ejaculação feminina, que é uma pequena quantidade de líquido mais espesso, geralmente associada ao prazer e à estimulação mais específica.
E o squirt, que é um volume maior, mais aquoso, e que pode acontecer com ou sem prazer direto.
Nem todo prazer gera squirt, e nem todo squirt significa prazer.
Agora, dentro de uma abordagem terapêutica, o que importa não é o fenômeno em si, mas o estado do corpo que permite que ele aconteça.
Quando o corpo relaxa, quando a respiração aprofunda, quando a pessoa se sente segura para se expressar, seja com som, com movimento, com respiração, o sistema nervoso muda.
E esse mesmo estado que permite mais lubrificação, mais sensibilidade e mais prazer, também pode permitir esse tipo de liberação.
Por isso a gente trabalha tanto expressão, respiração e consciência corporal.
Porque um corpo que se expressa mais, também se contrai menos.
E um corpo que se contrai menos, sente mais.
O squirt não é um objetivo.
Não é uma meta, não é uma prova de desempenho.
Ele é apenas uma das possíveis respostas do corpo quando existe relaxamento, estímulo e entrega.
O mais importante não é o que o corpo mostra pra fora, mas o que a pessoa está realmente sentindo por dentro.
No fundo, o trabalho não é fazer algo acontecer.
É tirar os bloqueios para que o corpo possa responder com verdade.
Dara
Sens.sensorial
Blog e artigos