Existe um momento da vida em que o desejo deixa de responder a qualquer estímulo.
Não é mais qualquer corpo, qualquer convite, qualquer situação que acende algo dentro.
Por volta dos 40, algo se transforma.
Não porque a vitalidade acabou. Mas porque ela ficou mais exigente.
O que antes despertava com facilidade, hoje pede outra qualidade.
Presença.
Segurança.
Sintonia.
Sentido.
Não é mais sobre quantidade de encontros, nem sobre provar algo a alguém.
É sobre como se encontra. E, principalmente, com quem.
Muita gente estranha essa mudança e começa a se perguntar se está “fechada”, “bloqueada” ou “desinteressada”. Mas, muitas vezes, não é nada disso.
É maturidade.
O corpo aprende. A psique aprende. O sistema inteiro passa a filtrar.
Depois de histórias, decepções, perdas, lutos, relações que marcaram, o desejo deixa de ser impulsivo e passa a ser seletivo.
Não por medo, mas por inteligência emocional e corporal.
Aos 40, o desejo não responde mais só ao visual ou à novidade.
Ela responde ao estado interno. À coerência. Ao cuidado. À verdade da troca.
Isso naturalmente reduz o número de conexões. E tudo bem.
Menos encontros não significa menos prazer. Pode significar mais profundidade.
É nesse ponto que muitas pessoas sentem um certo vazio, uma estranheza, como se algo tivesse se perdido.
Mas talvez nada tenha se perdido. Talvez algo esteja pedindo para ser reencontrado de outro jeito.
Não pela pressa. Não pela performance. Não pela repetição de padrões antigos.
Mas pela reeducação do sentir.
O corpo aos 40 não quer ser invadido. Quer ser escutado.
E quando encontra um espaço onde não precisa corresponder expectativas, nem performar desejo, algo começa a se reorganizar naturalmente.
O prazer deixa de ser um objetivo e volta a ser um caminho.
Talvez essa fase da vida não peça mais intensidade imediata. Talvez ela peça presença sustentada.
E isso não é pouco. É profundo.
Dara Alessandra
Sens.Sensorial
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