Estudando um pouco mais sobre Tantra, me deparei com uma definição que me chamou a atenção:
Tantra é a arte de conhecer a si mesmo através do outro.
Em um primeiro momento, essa frase pode gerar dúvida.
Como assim através do outro? Será que isso significa depender de outra pessoa para se conhecer?
Na verdade, não.
O que o Tantra revela é algo muito interessante sobre a natureza humana: muitas partes de nós só aparecem no encontro com o outro.
Quando estamos sozinhos, conseguimos acessar silêncio, presença, respiração, sensações internas.
Isso já é muito valioso. Muitas meditações tântricas podem ser feitas individualmente e ajudam a desenvolver consciência corporal, sensibilidade e presença.
Mas quando estamos diante de outra pessoa, algo diferente acontece.
O encontro desperta emoções, desejos, inseguranças, prazer, vergonha, entrega, controle.
Coisas que talvez não aparecessem da mesma forma se estivéssemos apenas meditando sozinhos.
Por isso, muitas práticas tântricas são feitas em dupla. Não necessariamente com um casal, mas com outra pessoa presente. Pode ser através do olhar, da respiração compartilhada, do toque consciente ou de práticas sensoriais.
Nesse contexto, o outro funciona como um espelho.
Ele não traz algo que você não tem. Ele apenas desperta algo que já existia dentro de você.
É como se o encontro revelasse partes da nossa própria experiência humana que estavam adormecidas ou escondidas.
Isso é muito diferente de dependência.
Dependência seria acreditar que isso só é possível sentir algo se o outro estiver presente.
Já no Tantra, o encontro desperta uma experiência que passa a ser reconhecida como sua. A partir daí, essa consciência pode continuar sendo cultivada internamente.
Um exemplo simples é a massagem tântrica.
A experiência acontece através do toque de outra pessoa, mas tudo o que surge, sensações, emoções, estados de presença ou expansão, acontece dentro de quem recebe.
O outro apenas proporciona o estímulo. A vivência é totalmente interna.
Por isso o Tantra também ensina algo muito bonito sobre relações humanas.
O outro não está ali para nos completar. O outro está ali para nos revelar.
Primeiro aprendemos a estar conosco. Depois aprendemos a nos perceber no encontro.
E, por fim, levamos essa consciência para a vida e para as relações no mundo.
Talvez seja por isso que o Tantra nunca foi apenas um conhecimento teórico. Historicamente, ele sempre foi transmitido através da experiência, da prática e da presença.
Porque certas coisas nãos e aprendem apenas lendo.
Elas se descobrem vivendo.
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